Era 15h30 no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. O sol escaldava. Mesmo assim, quem estava tirando um momento na sombra se aproximou do palco Perry quando o pato febril apareceu no telão e SonoTWS surgiu com PumaPJL. o Lollapalooza é o primeiro grande festival que o Febre90’s participa. E assim como acontece no digital, os fãs adolescentes marcam presença na companhia de suas mães. Alguns filmam quase o show todo, cantando verso por verso. Outros ficam mais atentos ao que está acontecendo ali.
“Eu nunca tinha colado nem para curtir um festival grande assim. E aí cola para tocar, ver a energia toda da rapaziada ali que colou uma para ver a gente… pô, a gente fica feliz demais, mano. Tô realizado”, diz Sono, que é complementado por Puma. “Um bagulho desse tamanho assim, eu fico até meio perdido, né? Eu não sei se vagabundo vai vai colar para ver a gente, se não vai… quando eu cheguei ali e vi a rapaziada realmente cantando e respondendo, eu falei: caralho mano nós temos uma potência mesmo. Esse palco é importante para realmente ter uma noção do nosso tamanho mesmo”.
Naquele gigantesco espaço, os dois não estão sozinhos. Assim como sempre fazem, os bboys da McFly Mob chegam junto. Essa é uma forma de manter os elementos da cultura hip hop unidos no mesmo ambiente. “Gostaria muito que tivesse mais grupos de rap que levassem um dos pilares mais importantes da cultura”, diz Sono. “Quem estuda a história sabe que os bboys foram fundamentais ali no começo”. Para eles é importante que a geração atual, que os acompanha fervorosamente, se envolvam também com o break e o grafite. “Porque já é um público que nasceu numa geração do trap, tá ligado? E e a gente poder mostrar para eles o rap do começo, da fundação, o Boom bap, a nossa estética. E é muito maneiro, mano. Eu acredito que a parada do hip-hop é isto: é para o mais novo, criança, é adolescente, adulto e velho, tá ligado?”

A dinâmica do set começou com músicas do EP “Autodomínio” (2023), do PumaPJL, e foi esquentando. Mesmo nas mais densas, eles sustentaram a temperatura. Para este momento, a dupla convidou Leall, Lis MC, Linin e Puto Di Paris. Com o último estrearam um single inédito que abre os caminhos para o tão esperado álbum de estreia.
“Essa daí é uma das surpresas do disco que está caminhando para chegar, graças a Deus. Está faltando pouquíssimos passos pra gente terminar. Esse ano aí vai chegar essa bomba, mano! A gente preparou uma parada completa com todas as participações para realmente mostrar para quem também não conhece quem são essa rapaziada que está com nós ali”, diz Puma. “São poucas as oportunidades que a gente consegue levar a rapaziada. Esse palco aqui foi onde a gente falou tipo: “Vamos separar tudo que tem de importante, tem de novo, que tem de legal para levar e essa daí (música) estava lá reservada, mano”.
Ao final, não poderia faltar o bate cabeça tradicional do rap. A segunda parte de “Malandro Demais Vira Bicho” serviu para fechar a sessão da melhor forma. Os bboys foram para a pista e abriram duas rodas, uma do lado direito e outra do no esquerdo. Quando os tambores do funk começaram, poucos foram os que não se envolveram. Mas geral cantou “ninguém me segura, hoje vai dar merda”. Isso reafirma que o rap ainda é potente, independente o lungar em que esteja. Parafraseando “É O Terror”, do GOG, cantado em coro: “o rap nacional é o terror é o terror, o rap nacional é o terror que chegou”.

