Para que sua playlist seja atualizada com sucesso, coloque COCOA MÅMI, Punka, Clara Ribeiro, Juyè e Scarp, Jalen Ngonda, Ge Nunes, Kelela, FKJ, DEBBII DAWSON e Isleña Antumalen. Certeza que vai ficar daquele jeito que você gosta. Vem que vem porque a lista está montada.
COCOA MÅMI – Segredo
É fato que Cocoa Mami está na ativa desde de 2012. Porém, sua voz suave ecoou recentemente pelos lados de cá. Uma grata surpresa. Com “Segredo”, ela abre os trabalhos do EP “Única”, em que compartilha sua vivência na Restinga, uma das maiores periferias do Rio Grande do Sul. Sonoramente falando, a música dela funde o rap com a estética do R&B. É uma cantora e rapper que deve ser acompanhada bem de perto com os ouvidos atentos. Difícil ignorá-la.
Punka – SINCERICÍDIO
Já acompanhei alguns batalhas da Punka. Ela tem bala pra trocar. Não por acaso, ganhou várias delas. Inclusive é fundadora da Batalha Estação da Rima, “a batalha mais legal, organizada pelas minas”, que na minha visão deveria servir de referência para outras batalhas por abraçar MCs experientes e aqueles/as que estão começando. “SINCERICÍDIO” é diverso e consistente. A mesma desenvoltura das batalhas, Punka leva para os registros, que abordam violência de gênero, desigualdade, educação e superação. É um álbum que merece uma atenção por ser didático e também colocar o dedo na ferida. Realista, pulsante, necessário.
Clara Ribeiro – Fuga
Difícil ouvir Clara Ribeiro apenas uma vez. Em 2025, os EPs “Amor Para Além do Atlântico Sul” e “Desabafos” ficaram no looping. Agora, ela se juntou ao Africanoise para fazer “Fuga”. Novamente, Clara surpreende porque as músicas dela possuem variações. Quando você acha que vai por um direcionamento, de repente muda. Nesta não é diferente, existe uma fusão de gêneros latinos, brasileiros e camadas eletrônicas que dão um suingue que faz o corpo responder de imediato. Na lírica, apesar das feridas, Clara Ribeiro fala de perdão, força e autoafirmação. Aquela coisa: raiva só faz mal pra quem sente.
Juyè e Scarp – Visto por Último
Um relacionamento intenso, mas não convencional – inclusive na DR, que é feita por mensagem. É o que propõem Juyè e Scarp no álbum “Visto por Último”. Não tem cobranças, expectativas, compromisso firmado. Porém, isso não quer dizer que não seja profundo. Tem aquela pimenta ardente nas letras, na voz sensual de Juyè, nos instrumentais pegajosos, que se complementam na tranquilidade na forma que Scarp solta os versos. Uma ode quente e gostosa aos fiéis ficantes.
Jalen Ngonda – Burning Temptation
Com um soul setentista, Jalen Ngonda mostra as credenciais do segundo álbum dele, “Doctrine of Love”. O fio condutor é “Burning Temptation”, que traz uma estética característica da Daptone – casa que abrigou Sharon Jones e Charles Bradley. Esse é o mote do disco, que serve como um canal contemporâneo para a essência da sonoridade que fez todo mundo dançar a partir dos anos 60, livre de clichês e profundamente enraizado no conhecimento e admiração. Além disso, a voz dele é apaixonante.
Ge Nunes – Gostosa
Coloca Ge Nunes nos favoritos. Com “Gostosa”, ela te faz dançar e refletir sobre liberdade e autoconfiança. É divertida e traz aquele ar nostálgico dos anos 2000, uma era em que o rap, estadunidense principalmente, ganhou um pouco mais de tempero e, consequentemente, as pistas. Se tem dúvidas, basta dar o play para concordar que dificilmente será difícil não lembrar os clipes dos DVDs (piratas) com os títulos de Sucessos Black.
Kelela – outta time (feat. A.K. Paul)
Escalada para o Afropunk, Kelela chegará ao Brasil com o álbum “new avatar”. Depois de três amostras anteriores, “outta time” dá mais uma visão de como estará o disco. Nesta, ela recebe a participação do cantor, compositor e multi-instrumentista britânico A.K. Paul. Densa, emotiva e delicada, a música faz uma mescla de sintetizadores expansivos com a reflexão crua de Kelela sobre um amor que não pode mais ser salvo. Pode ser que essa e as outras estarão presentes no repertório do show dela no dia 08 de novembro em Salvador.
FKJ – Soulmates
Em “Soulmates”, FKJ abraça a própria solidão. Ele é desses. Pode ser que por isso é multi-instrumentista. Mas ele não está só o tempo todo. Também valoriza as companhias e as trocas. Ele também fala desse equilíbrio na canção que viaja entre soul, rap, rock e elementos da música eletrônica. É uma antecipação do álbum “Tyber”, que está programado ainda para 2026 e tem como proposta trazer à tona um período de transformação pessoal e criativo.
DEBBII DAWSON – Kool Aid
A experiência numa seita influenciou DEBBII DAWSON fazer em parceria com Justin Tranter e Tommy English, a perspicaz “Kool Aid”. A marcante voz dela se conecta lindamente com a vibrante textura instrumental. Apesar do clímax, ela compartilha experiências pessoais e reafirma que se deve ter controle sobre si mesmo, sem deixar ser levada por terceiros. O videoclipe cinematográfico, dirigido por Aaron Sinclair, mostra Dawson envolta em branco no centro de uma reunião noturna e ritualística. É intensa.
Isleña Antumalen – KUMBIA SIKODELIKA
Olhando para dentro do territorio sulamericano, Isleña Antumalen expande seu universo sonoro com “KUMBIA SIKODELIKA”. O título reflete o que de fato a música é: uma cumbia psicodélica. Ela faz uma mescla do clássico com o moderno, o que resulta numa música hipnótica e expansiva que evoca o deserto, a estrada aberta e um ritual de dança. É para colocar naquela playlist com músicas essências para limpar a casa para ganhar aquela força a mais.

