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CIÇA: “Rap é o que eu amo e eu cheguei para ficar”

"Nepobaby" é uma forma irônica de responder aos haters.
Foto: @mateusaguiar

Enquanto os números de “Bonde do Esculacho” subia, Cecília sofria hate gratuito nas internet. Alguns diziam que era uma artist plant, como se ela tivesse sido formada por alguma gravadora para entrar no mercado já pronta, e outros ressaltavam sua posição de nepobaby do rap por ser filha dos rappers Bárbara Sweet e Slim Rimografia. Porem, nenhuma coisa nem outra. Antes dos 20 anos, ela conquistou espaço pelo talento. Fez seu corre, gerou identificação e conquistou os ouvidos. Por isso também, ironicamente, intitulou seu primeiro EP de “NEPOBABY”.

Dias antes de lança-lo, conversei com CIÇA que disse estar com a expectativa alta para sua estreia com um projeto maior. Estou bem animada”, afirma. “Me esforcei bastante para entregar o melhor resultado possível, então a expectativa está alta”. Introspectiva, de respostas objetivas, a MC de Belo Horizonte, Minas Gerais, fala sobre a produção do EP, críticas, inspirações e planos futuros.

 

Se fosse se apresentar, como que você faria?

Eu sou uma garota que faz o que ama, que gosta de rap, que ama o rap e que procura se divertir e viver de arte. Acho que eu me apresentaria assim.

Você se considera de fato uma nepobaby do rap, como intitula seu EP?

Não, era mais uma forma de ironia mesmo.

Era mais para bater de frente com as questões que estavam falando na internet?

Sim.

E como foi a arquitetura do EP?

Então, ele veio de uma forma bem natural. Eu já estava pensando há bastante tempo. Foi meio corrido, a gente fez as coisas meio rápido, mas deu tudo certo e foi bem divertido o processo.

Essas composições representam suas vivências ou visões do cotidiano?

Eu escrevo muito por experiências próprias. Gosto de escrever sozinha no meu quarto. Eu sou mais introspectiva na questão de escrever, mas a maioria das coisas que digo foram experiências reais mesmo. Claro que tem algumas que a gente, enfim, tem uma licença poética, muda algumas coisas, mas todas vieram de experiências bem pessoais.

Já tinha essas composições ou foram criadas especificamente para o EP?

Eu parei para escrever especificamente para o disco, mas assim, eu começava a escrever uma e no meio do processo vinha outra. Todas foram destinadas ao EP, mas vieram em momentos diferentes.

Você iniciou a carreira chamando bastante atenção e conquistando espaço pelo talento. Como tem sido essa experiência?

Está sendo muito gratificante para mim, né? Eu acho que ainda tem muitos lugares que eu quero alcançar. Mas todo dia é um sentimento de vitória diferente, de gratidão ao rap, novos motivos para lutar, novos motivos para continuar e está sendo muito maravilhoso toda essa experiência para mim de verdade.

Quais seriam esses outros lugares que você pretende alcançar?

Ah, eu quero fazer uma turnê fora do país, eu quero cantar lotar casas de shows maiores, entregar maiores projetos, participar de outras coisas. Eu quero muitas coisas.

E nessa sua entrada ao universo artístico, quando que a Cecília passa ser a rapper CIÇA?

Eu acho que não tem muito uma separação, na verdade. Eu sempre fui a Ciça, né? Minha família sempre me chamou de Ciça, não inventei um nome artístico, nem nada para mim. E eu acho que talvez eu tenha um pouco de dificuldade de separar a vida artística da vida pessoal. Eu acho que o meu eu artista e o meu eu pessoal são os mesmos. O rap é e sempre foi minha vida.

Começou a compor quando?

Eu gravei um som com uns 15 anos, mas eu foquei mesmo quando eu lancei “Bonde do Esculacho” em 2025.

E como lidar com as críticas, sendo uma rapper iniciante e já logo no início ser recebida com várias críticas de pessoas que não te conhecem de fato?

Ah, eu não leio mais. Eu não lido mais com elas. Eu acho que é uma escolha lidar ou não. Ninguém é obrigado a gostar, mas eu também não sou obrigada a ouvir o que eles têm a dizer. Então não leio mais.

 

“FALEI MUITA COISA QUE EU PRECISAVA FALAR E DEI O MEU MELHOR EM TODAS AS FAIXAS PARA TRANSPARECER MUITA COISA”

 

Foto: @mateusaguiar

 

 Gosta de ouvir o que para se inspirar?

Eu gosto bastante da Ebony, eu gosto da Lil’ Kim… eu acho que em outro lugar assim Amy Winehouse me inspira muito, é a minha cantora favorita e tenho um grande apreço por ela. Meus pais também são pessoas que me apoiam bastante, que me inspiram muito. A vida me inspira bastante… eu saio na rua, vejo o mundo e fico inspirada pra caramba.

Artisticamente falando, qual tem sido a sua maior dificuldade?

A de separar o meu eu artista do meu eu pessoal, talvez. Acho que minha maior dificuldade no momento é essa. Separar as duas coisas, dá uma desvinculada disso.

No EP você traz uma única participação, que é a Agnès Nunes em “Não fale de amor comigo”, que é uma das minhas preferidas. Está muito bonita. De que forma aconteceu essa conexão?

Pois, então, foi super massa. Eu não conhecia ela. Eu já tinha o não, né? Eu nem sabia se ela ia aceitar. Eu mandei mensagem e já rolou uma super conexão quando a gente se encontrou no estúdio para gravar juntas. A gente se divertiu para caramba, demos várias risadas, tipo, viramos amigonas mesmo e considero ela para caramba. Ela foi o único feat e pra mim foi muito especial. Essa música é muito poderosa, significa muita coisa para mim. Então foi uma conexão de primeira.

E qual é a principal mensagem que você quer passar com “Nepobaby”?

Eu acho que eu quero que as pessoas sintam, só isso. Acho que cada um vai tirar um pouco dali, mas eu quero que as pessoas sintam e saibam que eu tô aqui, que eu vou morrer fazendo isso, que rap é o que eu amo e eu cheguei para ficar.

É meio que uma carta de apresentação também…

Acho que sim.. Apresentação para mim e para os outros, né? Eu acho que fiz esse EP muito por mim. Falei muita coisa que eu precisava falar e dei o meu melhor em todas as faixas para transparecer muita coisa.

 

Foto: @mateusaguiar

 

Tem planos futuros?

Eu quero fazer uma agenda legal de shows. Eu quero viajar o Brasil e talvez me divertir um pouco na minha carreira, explorar outros estilos e fazer mais feats, enfim.

Que tipo de estilo pretende fazer?

Ah, eu não sei ainda. Ainda não pensei, mas eu tenho vontade de talvez fazer algo mais para o R&B. Talvez um grime, eu gosto também de drum and bass.

O que você tem ouvido no dia a dia que te inspira?

E tenho ouvido muito “Cuidar de mim”, do seu Jorge. Estou muito viciada nessa música. Eu escuto músicas um pouco mais distintas. Não escuto tanto rap assim no meu dia a dia. Mas eu tô escutando muito o novo álbum do Kanye West, “Bully”. Eu também tô escutando… deixa eu até abrir aqui. Tô ouvindo Cigana do Mano Brown com Arthur Verocai. Tô escutando muito Luedji Luna e Love Song (A Maior Dor de Um Homem) do Mano Brown com o Sabotage… amo essa música.

Tem alguma ambição?

Pô, então, eu acho que as minhas ambições são todas ligadas à música mesmo. Eu acho que se tirar as minhas ambições do espaço musical, não tenho mais nenhuma. Eu só penso nisso mesmo. No momento, tudo o que eu penso é as minhas ambições musicais. Tá tudo atrelado ali, né?

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