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No toque do funk da DJ Pétala

O álbum "Seja marginal Seja real" marca sua estreia como produtora.
Foto: registro______

Eufórica, toda de vermelho, DJ Pétala não para. Está correndo para organizar os últimos detalhes para a audição de “Seja marginal Seja real”, o álbum de estreia dela. O Bar do Zé (BDZ), em Barão Geraldo, distrito de Campinas, é o lugar escolhido para receber amigos, convidados e quem acompanha suas discotecagens. Conforme a hora passa, a casa vai se enchendo. Longe do fervo, ela tira 20 minutos. Respira, pega uma garrafa d’água, senta e fala da sua expectativa. “A principal coisa que eu espero é que as pessoas que eu tenho apreço curtam”, diz. “É um pedacinho meu que com a discotecagem não era capaz de mostrar. Um pouquinho do meu mundinho pessoal”. Quem a vê ansiosa para tocar seus próprios sons não imagina que ela tinha planos de desistir. Depois que venceu a Red Bull Turn It Up 2025, batalha de DJs no estilo 1×1, superando Chakal, Bruq e Braba da NBR, decidiu persistir.

“Eu estava meio assim sem esperança, sabe? Não sei, eu estava meio bad”, afirma. “Essa vitória veio como um fogo de uma vontade de vencer absurda. Foi aí que pensei: Isso é a prova que eu devo continuar. Tipo, pô, eu sou a primeira brasileira a ganhar esse negócio. Foi muito gratificante, me abriu muitas portas também. E nossa, me deixa feliz até hoje”.

 

“FAZER AS MINHAS MÚSICAS FOI UM NOVO PASSO QUE EU REALMENTE FUI APRENDENDO”. 

 

Na discotecagem há 5 anos, Pétala de Azevedo começou a tocar por influência da DJ Ray Duarte. “Vi ela tocando, e falei: nossa, que interessante, quero aprender”, lembra. “Realmente acho que você se enxergar em alguém, algum artista, ali na frente de um palco é muito potente”. Assim como se espelhou em outra mulher comandando a festa, a DJ deseja que mais mulheres tenham esse lugar de destaque. “Eu quero muito não ser mais a única DJ”, ressalta. “Eu quero muito que não precise escolher entre eu e a Lavs que é minha amiga. Eu quero que a gente possa fazer uma line diversa com mulheres, mulheres trans, pessoas LGBTQI+”. Estar ali faz com que outras também acreditem que possam ocupar esses lugares. O mesmo acontece na produção musical, outra possibilidade desbloqueada por ela. “Eu gosto muito de música. Gosto de fazer acontecer. Sempre prezei muito por oportunidades… sempre fui uma mina de questões sociais também. São coisas da minha vida que eu trago para música”.

Essa vontade a fez produzir um disco com as mais variadas vertentes do funk. Enveredar pela produção era algo que queria, mas desistia toda vez que começava.

“Eu vou fazer um ano de produção musical”, observa. “Antes eu tentava, achava muito difícil, desistia, fazia uma aula, nossa, e dizia: chega gente. Aí meus amigos tentavam me ensinar, eu já desistia, não sabia muito como começar. Foi quando coloquei na cabeça que ia continuar. Dessa ideia surgiu o álbum. E aí eu falei: Não tem jeito, a melhor forma pra eu aprender é fazendo. Então eu decidi fazer o álbum para realmente aprender a produzir”. O processo foi de exatamente 9 meses. Uma gestação que gerou muitos aprendizados, desde a decisão de quais faixas entrariam, quais não, liberação e questões de distribuição, algo que não estava acostumada a fazer. “Na figura de DJ, eu sempre estive com as músicas prontas. Fazer as minhas músicas foi um novo passo que eu realmente fui aprendendo”. A construção aconteceu pouco a pouco. Alguns sons ficaram prontos em 15 minutos, já outros levaram de 3 a 4 meses. Mas ela também contou com as amizades para contribuírem com as ideias.

“Eu pensava em pessoas que foram pessoas muito importantes na minha história, tanto de discografia quanto de produção, mas eu não tinha muito um norte, então eu comecei por um interlúdio, que na real nem foi para o disco e eu comecei a pensar: “Nossa, como que eu vou fazer isso?”, lembra. “Eu já tinha pensado na identidade, já tinha feito a capa, mas não tinha música nenhuma. Fui meio que assim: E aí, amigos, vamos fazer uma faixa? Tem que ter a ver com essas ideias aqui que eu trago, vocês topam?’ E a galera topou”.

 

Foto: registro______

 

Para os feats, só chamou quem tinha afinidade. Basicamente não fez nada com ninguém que não gostasse, e certamente nunca fará. “É uma coisa muito minha. Tem pessoas grandes no álbum e artistas que também nem tinham perfil no Spotify, mas que eu conheço desde criança e eu confio muito no trabalho”. Nessa lista estão Yuri Redicopa, CAIQUE LAGO, Cjtinha, Elika, Bbzinha, Ricardo André, Lavs, MC PH, Cacau Chuu. Assim, com os amigos, DJ Pétala mostra sua carta de apresentação como produtora. Mas também diz não conseguir separar as duas personas. “Eu acho que hoje em dia essas figuras andam muito juntas, porque como artista não dá pra separar elas, mas eu acho que me traz muitas outras nuances e experiências para discotecagem mesmo”, observa. “Produzindo, às vezes, a gente vê coisas e detalhezinhos que quando eu era só DJ não perceberia”.

Na junção de ambas as habilidades, ela diz que meu que segue a cartilha da maioria dos DJs de não tocar suas próprias nos sets. “Eu tenho um pouco disso, sabia? Tipo, eu tenho várias faixas que às vezes os meus amigos falam: ‘Aí, toca tal faixa?’. Mas eu não gosto. Eu sou um pouquinho assim de saúde”. Por outro lado fala que suas produções podem ser usadas em momentos específicos. “Tem músicas muito de baile… tem músicas para você ouvir enquanto se arruma. Eu meio que fiz uma sessão de músicas que eu ouviria muito para me arrumar. Outras eu já quero ouvir na Submundo. Tem essa diferenciação”.

Aos 21 Anos, ela afirma que o funk é político. Mas também diz ser muito hip-hop. Escolheu o funk por ser a vertente que gosta, que te abraça e a deixa feliz. “É uma das músicas mais felizes que algum ser humano já produziu”, pontua. “Eu acho que a gente precisa se posicionar”. Residente da Submundo 808, uma das principais festas de funk do Brasil, Pétala planeja voos mais altos no futuro.

“O álbum tá consumindo minha cabeça, mas de uma forma muito positiva”, brinca. Com certeza mais alguns virão. Ainda não sei quando, mas eu já estou com vários projetos para saírem, tanto de participações quanto outros singles para irem para a pista logo menos. Mas agora eu vou focar realmente as minhas atenções no “Seja marginal seja real, mas quem sabe né, uma Eurotour não vem aí, né? Quero tocar mais longe, quero cruzar fronteiras”.

 

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