Depois de várias audições, atualizamos a playlist É QUENTE. Na seleção estão Rashid, Anaiis, Caio Ocean, LOUISE, Lido Pimenta, Ana Karina Sebastião, Larry June, Nyela Beat, Rô Rosa e LETT. Aproveite para atualizar a sua lista também.
Rashid – YOWA
Não tem como negar que Rashid é um dos melhores compositores do rap nacional. Ele sabe usar as palavras. Dificilmente as usa de forma aleatória. Mais uma prova dessa facilidade é “YOWA”. Faz um desabafo, revisita sua jornada, passa a visão e dá uma amostra do que está por vir no álbum CUMULONIMBUS, previsto para agosto. Difícil ouvir apenas uma vez. E a cada play, você emerge ainda mais nas ideias que compartilha.
Anaiis – Sunshine e P4P
A música da Anaiis tem sutileza. A forma leve e tranquila que interpreta, somada à sua voz doce, agrada o ouvido mais exigente. Com os “Sunshine” e “P4P”, a artista franco-senegalesa radicada em Londres narra um encontro que vira o seu mundo de cabeça para baixo. Mas também volta o olhar para o mundo exterior, fazendo seu protesto, rejeitando a apatia e convocando à mobilização coletiva. Juntas, as duas canções habitam a tensão entre alegria e raiva, prazer e justiça, sentimentos que anaiis se recusa a manter separados. São apaixonantes.
Caio Ocean – Nova Nação
A versatilidade de Caio Ocean está ainda mais exposta no EP “Nova Nação”. Diferente de “Garoto Oceano”, ele é guiado por um drum and bass muito bem temperado. Esse é o ponto de partida da sua transformação musical, que revela um Caio menos denso. Mesmo com algumas letras introspectivas, tem uma certa intensidade. É colorido, e pode fazer a pista ficar quente.
LOUISE – Notívaga
Cantora, compositora e atriz pernambucana, LOUISE dá seu grito de liberdade e redescoberta com o EP “Notívaga”. Esse é daqueles que leva-se um tempo para que você abandone. Possui camadas que te fazem viajar pelos ambientes criados. É possível dançar, refletir, se identificar. Precisa estar na sua pasta de favoritos.
Lido Pimenta – Marea
Quem me apresentou a venezuelana Lido Pimenta foi o Dudu MC. Depois que ouvi, quis mergulhar ainda mais no trabalho dela. “Marea” faz referência a várias formas de colonialismo cultural, que vão desde a gentrificação de territórios insulares por estrangeiros ricos. A música faz parte de “Caribenya”, álbum que extrai sua força principal da resistência alegre da pista de dança, assim como daqueles momentos de escapismo que vivenciamos nos rolês ou em casa enquanto o mundo pega fogo.
Ana Karina Sebastião – Vamo com Calma, Malandra feat. Rincon Sapiência
Sem dúvida alguma, Ana Karina Sebastião é uma das baixistas mais incríveis da música brasileira. Vê-la ao vivo, solo, ou na companhia de artistas da música BR, como Liniker, é sempre emocionante. Ela toca com paixão, e a transmite para quem ouve. Com “Vamo com Calma, Malandra”, ela começa a puxar o fio que levará até um álbum. Além de dominar o baixo, a musicista também canta. Porém, não está sozinha. Convida Rincon Sapiência para colocar um tempero a mais. É dar o play, colocar no repeat e meter dança.
Larry June – Who Coppin
O Larry June criou uma característica que dificilmente poderá ser comparada e até copiada. Depois de fazer “Spiral Staircases”, um álbum colaborativo com Curren$y e The Alchemist, ele coloca no mundo “Who Coppin”. Segue a mesma estética que o consagrou e tem o mantido cada vez mais em evidência. Para quem está começando no rap, ele é uma boa referência de como ser relevante mesmo sem fazer parte efetivamente do mainstream.
Nyela Beat – Demoro, me beija
De Campinas, o Nyela Beat é um projeto do beatmaker e produtor Frank Jay, da cantora Vih Fernandes e do rapper Tio Don. Na estreia, o trio apresenta o love song “Demoro, me beija” com influências que misturam elementos do rap e neooul. Pode servir como mensagem direta para se aproximar da pessoa amada, caso não tenha coragem de chegar pessoalmente.
Rô Rosa – Volta
Regido por violões, acordeon e a cadência da musicalidade brasileira, Rô Rosa fala de recomeço, lembranças e saudade no single “Volta”. Tranquilamente, de quem está com a consciência limpa e recorda de bons momentos vividos, ele discorre sobre a vontade de encontrar quem se ama. Ideal para relaxar depois de um dia cheio.
LETT – Mix Como Eu
A estética underground que LETT usa no EP “Mix Como Eu” nos faz aproximar de suas diferentes versões. Sintetiza momentos de sua trajetória, retrata sua identidade e diz verdades necessárias. Este trabalho integra o edital Tá Na Rua!, iniciativa impulsionada pelo Programa VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), que apoia projetos desenvolvidos por artistas e coletivos da cidade de São Paulo. Graças ao investimento público e privado dos editais tem sido possível a descoberta de talentos, como LETT. Uma joia que está sendo muito bem lapidada.

