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Ruas MC, o protagonista do próprio sonho

Sem limites para fazer o que quiser.
Foto: Gabriel Monteiro

Assim como a maioria dos músicos e cantores de periferia, Ruas MC teve seu primeiro contato com a música na igreja evangélica. “Desde que eu me conheço por gente, vejo minha mãe cantando”, diz. “Eu toquei teclado por muito tempo. Então, tipo, já tinha essa influência musical”. Por outro lado, só podia ouvir o rap secular na rua. Em casa, ouvia o gospel do Ao Cubo, Pregador Luo, Apocalipse 16, DJ Alpiste e os rocks de Oficina G3 e PG. Mas sua maior referência foi o cantor Thalles Roberto. “Pra mim é o monstro da parada”. Essa influência musical religiosa e familiar aflorou nele a vontade de seguir o que, mesmo sem saber, poderia ser uma profissão.

“Só fui entender que eu queria fazer aquilo muitos anos depois, na minha adolescência”, afirma. “Eu ouvia muito rap e gostava de escrever, de fazer redação, essas fita. Tanto é que eu fazia um curso em Hortolândia, e tinha uma professora lá, Lígia, que me desafiava. Ela sempre falava: ‘quero que você faça um rap aqui’. Era sobre solidariedade. Nunca tinha feito nada daquele jeito, mas desenrolei o bagulho e achei louco. Foi aí que eu vi que era possível. Depois disso, comecei a escrever várias rimas”.

A partir daquele momento, as coisas começaram a acontecer. Amigos em comum o aproximou do Paulo DK (Deekapz). Na primeira vez que se encontram a conexão foi estabelecida. Ruas disse que escrevia rap. Paulo respondeu que produzia beats e o levou para um estúdio. O ano era 2018, o mesmo que também conheceu o também produtor André Miqueloti (o Tresk). Um ano depois gravou sua track debut, “Baralho Sujo”. “Ali foi quando eu entendi que queria viver disso”, afirma ele algumas horas antes de apresentar ao público as músicas do álbum “Alma de Protagonista”. Apesar da expectativa, ele demonstra tranquilidade. Enquanto conversamos, na noite de uma quarta-feira fria, os fãs e amigos, inclusive Fleezus, lotam a pista do Brasuca Multicultural, em Campinas.

 

Foto: Gabriel Monteiro

EU QUERO RIMAR. NÃO QUERO SER UM MC DE HOUSE. NÕA QUERO ESSE TÍTULO. EU QUERO SEU UM MC DE HOUSE, DE BOOM BAP, DE TRAP, DE AFROBEATS, DE TUDO. SÃO VÁRIOS PAPÉIS E POSSO ATUAR EM TODOS ELES.

 

Depois de chamar atenção com “Embalos de Uma Sexta-Noite Vol. 2”, um disco guiado pelo house, feito em parceria com o MELI, a especulação do que poderia vir era grande. Porém, o MC não quer se limitar. Preferiu ir totalmente na contramão do que fez nos projetos anteriores. Essa ousadia de explorar diferentes sonoridades faz parte da sua característica artística. Isso é evidente em cada um dos seus álbuns, que vão do rap mais sujo ao eletrônico dançante. Ele não enxerga limites.

“Eu consigo visualizar muito bem a forma que eu evoluí com meus projetos, muito por conta do jeito que vou tocando o processo”, observa. “Eu acho que o meu primeiro álbum, “Sonhos de Vitrine”, é muito bom, mas de certa forma é cru, porque também foi o meu início. Quis fazer um já no começo de carreira porque lembro exatamente o dia que decidi. Estava indo trampar ouvindo “Running”, do Febem. Foi aí que falei: “vou fazer um disco também”.

Quando terminou de ouvir, foi para o ponto de ônibus e de longe ouviu tocar “Window Shopper”, do 50 Cent. Esse foi o gatilho para intitular o projeto de “Sonhos de Vitrine”. Ainda sem single, ele seguiu o plano e estreou em 2021. No ano seguinte fez ainda mais barulho com os Picaretas de Quebrada. Essas experiências o ajudou a amadurecer. “Eu consigo visualizar isso e fico muito feliz de estar evoluindo”, reflete. “Também sempre fui meio nerd na ideia de estudar as coisas antes de fazer “No Embalo de Uma Sexta-Noite Vol. 2”. O Melli já é DJ de eletrônica e antes de produzir, eu fiquei um tempo ouvindo muita música eletrônica. Então acho que consegui evoluir muito por conta dessa persistência de querer estudar mais e entender a parada”. Os aprendizados adquiridos serviram para subir mais alguns degraus com “Alma de Protagonista”.

 

Foto: Gabriel Monteiro

 

Dessa vez, o rap direciona. Para Ruas, esse é o melhor e o trabalho mais maduro que ele fez até o momento. Tinha uma ideia do que queria e como queria definir as coisas. Um dos objetivos era canetar, testar coisas novas e surpreender. Por isso acredita que alguns ouvintes terão um choque pela estética que propõe. Para concretizar as ideias, mesmo curtindo fazer seus ‘bagulhos’ sozinho, por causa da impaciência, decidiu fechar com pessoas que admira e confia. Escalou os parceiros André Miquelotti e Paulo DK, Mackson Kennedy, Kohuru, Tio Fil, El Lil Beats, LEALL, Ashira, Maui, Mali, Nave e Iuri Rio Branco.

“Eu sempre gostei de fazer as coisas acontecer. Quando meus bagulhos dependem de muita gente, pra mim é uma luta interna. É muito difícil esperar as pessoas fazerem depois que já conclui minha parte. Mas comecei a compreender que faz parte. Pra este, trouxe pessoas muito foda, que fizeram produções quentes. Entendo que o que eu fiz é muito bom. Sou muito seguro de tudo que lanço, porque é o que gosto. Esse é caminho natural que vai me levar longe e alavancar ainda mais as coisas”.

PROTAGONISTA DO PRÓPRIO SONHO

No banheiro do Brasuca um jovem na altura dos seus 17/18 anos fala empolgado para o amigo: “acabei de trocar ideia com o Ruas. O cara estava aqui agora. Nem acredito”. Essa admiração e reconhecimento que ele tem ganhado vai ao encontro dos seus propósitos com a temática que envolve seu disco. “Eu meio que entendi que não conseguiria fugir de quem eu era ou quem eu me proponha a ser”, ressalta. “Ele tem essa ideia do íntimo, o íntimo do protagonista… é aquela coisa do backstage”. Para puxar o fio, ele faz um paralelo com o cinema, do teaser ao casting para a gravação, no qual ele é o ator principal. “Mesmo que eu esteja ainda no trampo CLT, eu continuo sendo esse protagonista”. Isso não quer dizer que ele tenha um direcionamento egocêntrico. Faz parte do seu instinto. “Eu não consigo fugir disso, mesmo que eu queira”.

Esse é o ponto chave para ele fazer algo que tenha o rap como elemento principal. Não que ele não goste de suas rimas em cima das batidas de house, que o tornou conhecido. Nesse caso, o frenesi ganha mais destaque, porque envolve o corpo, e a lírica fica em segundo plano. Assumindo o protagonismo, ele poderia fazer mais coisas, ter o controle. Um exemplo que Ruas usa é o de Michael Corleone (Al Pacino) na franquia “O Poderoso Chefão”, que ao mesmo tempo é o vilão e também o herói.

“Ele mandou matar o irmão dele, Fredo. Se for pensar, isso é bizarro. Porém, você assiste o filme e fala: porra, não é certo mas até faz sentido o que ele está fazendo”, observa. “Eu acho que é isso, mano. Não quero me colocar numa caixa. Eu quero rimar. Não quero ser um MC de house. Não quero esse título. Eu quero ser um MC de house, de boom bap, de trap, de afrobets, de tudo. São vários papéis e posso atuar em todos eles. A minha brisa é essa. E sempre fui assim desde o começo”.

 

Foto: Gabriel Monteiro

 

Poucos minutos depois das 22h, com a pista tomada, o MC começou a mostrar o resultado do que produziu ao longo de quase 1 ano. Quando os graves apareciam, as cabeças balançavam conforme o BPM. Mas para além dos instrumentais refinados, as letras pedem uma atenção pelo teor inspiracional baseado em vivências reais na 019 (código telefônico da Região Metropolitana de Campinas, interior de São Paulo). Todas elas foram escritas em estúdio. Nenhuma antes das bases chegarem. Essa é uma outra forma que ele encontrou para dar vida ao que a mente possibilita.

Ruas fala com orgulho da sua área. Quer também servir de inspiração para outros MC’s que não acreditam que seja possível conquistar espaço no cenário nacional por serem do interior. “Eu não quero fazer esse caminho de ter que ir pra São Paulo pra conseguir fazer os bagulhos acontecer. Tem sido muito louco porque as coisas estão acontecendo para uma galera daqui”. Alguns dos exemplos são a Submundo, que está se consolidando como um dos maiores eventos de funk e trap do Brasil, a Jovem MK, indicada ao Grammy Latino, e a própria dupla Deekapz.

“É muito possível, mano. Só que eu acho que isso parte do exemplo também, tá ligado? Até hoje eu nunca fui uma pessoa que quis me posicionar e falar: eu sou a ref, eu sou o cara. Nunca gostei dessa ideia. Eu acho que esse tipo de coisa vem naturalmente. Você nunca deve falar de você nesse sentido. São as pessoas que têm que falar. Você não pode falar, se vangloriar dessa forma, se posicionar assim”.

 

 

A forma apurada que Ruas lida com seu trabalho tem contribuído para que portas sejam abertas. Exemplo disso é a presença dele no line-up do Festival CENA. De forma inesperada, ele recebeu a notícia do primo Samuca, que faz seu booking, como se fosse uma apresentação qualquer na próxima semana. “Ele me falou como fosse algo mais natural do mundo”, fala rindo. “Ele mandou um áudio tipo: fechamos o Cena. Eu respondi: o Festival Cena? Ele disse: é, fechei aqui”. Desacreditando, o rapper ligou para ver se tinha entendido direito. A informação era real e sua presença foi confirmada.

Quando saiu a divulgação oficial, ele estava dormindo, mas depois não conseguiu mais dormir. “Falei: caralho, não acredito. Tipo, eu recebi muitas mensagens”. Ver seu pessoal vibrando com essa conquista foi o que mais o deixou grato pela trajetória que tem feito. “Todo artista de trap e rap sonha em cantar no CENA. Até hoje eu fui só no de 2021. Lembro que eu assisti os bagulhos e falava: eu quero tocar aqui também, quero estar naquele palco, quero realizar esse sonho e poder viver isso”. As preces foram atendidas, mas apenas elas não deram conta da demanda. A correria e a dedicação fizeram a diferença para este que tem todas as probabilidades de alçar voos ainda mais altos.

“As coisas aconteceram pra mim por conta da forma que eu trabalhei”, reafirma. “Sempre trabalhei com muita seriedade e profissionalismo. Acho que isso me diferenciou muito no começo. Eu sempre tratava isso como um trampo, como meu sonho. E eu valorizo o meu sonho. Eu sei a dificuldade que é fazer ele se tornar realidade. Então, percorri esse caminho. Tenho muito mais a percorrer com certeza, de uma forma muito séria. Então, acho que isso serve de exemplo pra vários outros artistas que trocam ideias comigo”.

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