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É QUENTE: Celo Dut, Coruja, Stelly, FBC, Weird Baile, Willy-A e João Vega, IDONTCARE & +

@dcampbell999

A playlist quinzenal do RAPr foi atualizada com Celo Dut ,Coruja, Stelly, FBC, Weird Baile, João Vega e Willy-A, IDONTCARE, Veja Luz, Aesop Rock e Fago. Se quiser pode usar como referência para a sua também. Dá o play, aumente o som e compartilhe com geral.


Celo Dut – Rei das Ruas

Tive uma ótima surpresa quando dei o play em “Rei das Ruas”, do Celo Dut. Estava na lista, mas fui impulsionado a ouvi-lo imediatamente. Depois que se ouve uma vez, a vontade de ouvir novamente é grande. Ele consegue unir diferentes musicalidades de uma maneira coesa. É bonito. Tem suavidade, apesar de abordar questões pesadas [ausências, conflitos e desafios]. Porém, Celo faz um balanceamento dividindo o disco em duas partes. A primeira de enfrentamento. A segunda de fortalecimento. Já podemos considerá-lo um dos favoritos de 2026. Várias nuances que te levam para lugares diversos. A beleza impressiona, e te prende.


Coruja + Tropkillaz – Pássaro de Fogo

Quando pensa que Coruja está parado, ele aparece para mostrar que trabalha no silêncio. Dessa vez o grito veio através de “Pássaro de Fogo”, single que puxa o fio condutor para seu próximo álbum. Para o rejunte, ele chamou o Tropkillaz que na produção usam o sample de “Luta e Brinca”, do Axé Capoeira de Mestre Barrão. É com essa base que o rapper faz seu renascimento artístico e conecta sua ancestralidade e resistência. Une elementos da cultura brasileira a com o rap. Está menos furioso no jeito que desenrola as ideias. Mas não deixou de lado o combate. Continua intenso.


Stelly – Caminhoneira

Escolhas, corres e a vontade de fazer o jogo virar. Esses assuntos direcionam “Caminhoneira”. A música faz parte do EP “Ruas do Bairro”, da Stelly. Com o beat de Safê, a letra foi escrita no camping de composição da BRABA Music. Também MC de batalha, ela tem conquistado espaço no underground do trap. Pelo repertório, inclusive no freestyle [já presenciado por mim], tem possibilidades de crescer ainda mais. Uma artista para ficar com os ouvidos atentos.


FBC – Skarnaval

É impossível negar que FBC é uma das mentes criativas mais geniais da música brasileira. Ele não se limita. Também não para. Dessa vez, ele faz um trabalho voltado para as crianças. “Skarnaval” acompanha as diferentes fases da vida de um brasileiro, da infância à vida adulta. Nessa jornada, as experiências cotidianas despertam curiosidades sobre a realidade. Ele conta essa história nas 5 músicas do EP de ska, que pode plantar uma sementinha na cabeças das crianças para o desenvolvimento de um pensamento crítico. É uma boa ferramenta para ajudar mães e pais a “educarem” politicamente seus filhos.


Weird Baile

Pode parecer que o Weird Baile começou os trabalhos agora. Porém, o coletivo formado por JLZ, VHOOR, Mu540, RaMeMes, DJ Kingdom e Bonekinha Iraquiana está na pista desde 2017. Era apenas um espaço de pesquisa, experimentação e liberdade musical. Mas agora também começou a soltar alguns singles, “[MTG]-VUKA7RON (2099)” e “[MTG] PIQUE DA OAKLEY”, prepara o seu álbum de estreia e faz parte do line-up do Lollapalooza 2027. Eles partem da linguagem do funk e da estética MTG, de montagem e repetição, levando para um território futurista e experimental.


Willy-A e João Vega – Deja Vu

A união de Willy-A e João Vega em “Deja Vu” deu muito certo. A música é agradável. Te faz querer ouvir mais de uma vez pela forma que João, campeão estadual de rima no Rio de Janeiro, cadência o flow e Willy-A tempera os vocais. Tem a leveza do neo soul com a precisão do rap. Não se sabe se os dois manterão a parceria no futuro. Mas se manterem vão conquistar bastante gente que está na busca de novidades sonoras. É óbvio que não estão reinventando nada, porém, trazem um frescor necessário.


Veja Luz – Renovada

Bebendo da fonte do reggae da Jamaica e da Inglaterra, “Revoada”, da banda Veja Luz, possui influências do soul, jazz, blues e R&B para falar de liberdade, consciência, afeto e transformação coletiva. Aquele tipo de som que dá uma injeção de ânimo, principalmente neste período sombrio que vivenciamos. Por isso também trazem à tona a história do Almirante Negro, João Cândido, e da Revolta da Chibata. Um tipo de memória que não pode ser esquecida. Precisa ser usada como referência de luta e resistência. A Veja Luz reafirma o papel do reggae como música de libertação, amor e paz.


IDONTCARE – Due To Personal Reasons

Para quem não sabe, IDONTCARE é um dos membros do duo Deekapz. Já Due To Personal Reasons é o resultado de anos de pesquisa sonora e experimentação em estúdio. Nele, o DJ e produtor fez explorações analógicas de sintetizadores e baterias eletrônicas para criar uma experiência supersônica. Faz interessantes fusões de vertentes brasileiras, do Funk ao Arrocha, chegando até a Seresta, com influências globais do UK Garage, House, Techno e Rap. Para essa experimentação explosiva, chamou MC RD, MC Naninha, MC Jhey, MC Mayah, Duda Spice. É para tocar no baile, esquentar a pista, fazer os falantes dos carros tremerem.


Aesop Rock – Coyote Summer

Um dos rappers mais relevantes do underground, Aesop Rock se juntou ao Blockhead para criarem o álbum colaborativo *Trouble Mountain*, com lançamento previsto para 13 de novembro pela Rhymesayers Entertainment. “Coyote Summer” é o primeiro single dessa parceria, e tem a participação de Hanni El Khatib. Na música, Aesop exercita sua habilidade lírica, explorando os temas de fuga e memória. Já *Trouble Mountain* inspira-se nos comerciais de resorts de Poconos que dominavam a programação de TV em Nova York durante a infância da dupla, promessas idílicas de relaxamento, reinvenção e fuga que permaneciam na memória muito depois de os anúncios terminarem. Não somente este, mas vale revisitar toda obra de Rock. A viagem valerá.


Fago – latino-Americano

O momento político no Brasil é delicado. Fago aproveitou o gancho para falar sobre o contexto social, econômico, cultural, racismo, desigualdade e consumismo em “Latino-Americano”. Acompanhado pelos graves, a voz tranquila do MC provoca sobre a alienação digital, influência dos algoritmos na formação de opiniões e as contradições do capitalismo. Não tem maquiagem.

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