Presente no dia a dia de quase todo mundo, as redes sociais deixaram de ser apenas um lugar de conexão entre pessoas de perto e de longe. São ambientes onde acontece de tudo, inclusive crimes. Peter Só levanta essa questão em “Show da Vida Fake”. Na música,que faz parte do álbum ‘Sonhos de Plástico’ – e direcionada por um hard rock -, ele disserta sobre a apatia diante dos ataques a pessoas que já sofrem preconceitos pela cor, classe social e/ou gênero.
O videoclipe foi gravado na ocupação cultural IBORU, projeto que faz parte do multiverso IBORU, fundado pelo rapper e produtor Marcelo D2, no Rio de Janeiro, e tem direção do diretor Antônio Lacet, também responsável pelo roteiro.
Dentro do contexto da violência digital, o cantor aborda também a saúde mental e toxicidade da vida moderna. “A principal inspiração visual e narrativa para o vídeo foi a construção do estranho. Usamos muitos contrastes de referências, sobretudo o macabro, do sinistro”, afirma. “Buscamos o escuro e refletir onde colocamos nossa sombra e como seria importante ela na contação da história. Mas a gente quis captar a beleza dessas trevas. Precisávamos tentar traduzir em imagens o que seria esse “Show da Vida Fake”.
Conceitualmente, a fotografia azulada remete aos primeiros filmes da franquia “Jogos Mortais”, em que as pessoas lutam por sobrevivência enquanto são torturadas com poucas chances de reparar os erros que as levaram até ali, tal como todos nós numa sociedade que fomenta competições desiguais num capitalismo selvagem. Não à toa, as imagens na produção evocam filmes de terror também do gênero zumbi, estilo consagrado por usar as criaturas para traçar críticas ao consumo desenfreado e à ambição humana.
O tema levantado por Peter é mais que necessário para a realidade atual. Se conecta com várias discussões relacionadas a notícias falsas, golpes financeiros e crimes hediondos – de pedofilia a suicídios. É um tipo de mensagem que precisa ser reverberada.