Apesar de artistas trans ganharem destaque nos últimos anos na música brasileira, o espaço continua escasso. Para quem está nas camadas inferiores da indústria [underground, midstream], as oportunidades são ainda menores. Para dar voz e visibilidade, Boombeat se uniu à DOG Music Lab para criar um projeto que reafirme a existência de tais corpos como um gesto cotidiano e coletivo. Dessa união, que é atravessada por coragem, afeto e resistência, nasceu “Existe”, um manifesto musical que reflete sobre presença, construir futuro e a urgência da visibilidade trans para além das margens.
“Nessa conversa, estávamos falando sobre a necessidade e importância de existir músicas com narrativas trans”, observa Boombeat.. Até mesmo pelas especificidades que são exclusivas da nossa vivência e merecem ser contadas por motivos de identificação com o público no qual estamos inseridas, e também de um público que pode aprender sobre e cantar junto”.
Com dignidade, sensibilidade e potência, a rapper convidou Jupi77er, Coral, Siamese e Enme para, durante um camping de composição, compartilharem suas vivências. A balada produzida por Fejuca e Gabriel Saffi é guiada por um neo-soul, ganhando um suingue do reggae, principalmente quando Enme solta a voz. É afetiva, abraça, traz um conforto, inspira. Não se sabe se a intenção é expandir o projeto. Se for, ajudará as vozes da comunidade ecoar. Caso não seja, é importante pensar nessa possibilidade.

