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Aquele Emicida “está de volta” ao RAP

Ele retorna com as mesmas cores e os mesmos valores de tempos atrás.

Da camiseta aos tênis, Emicida está todo de branco. Ele repousa numa poltrona de couro marrom, que inicia um círculo. O A&R e Label Marketing dele, Negus, o acompanha. No chão, além dos tapetes e microfones, estão espalhados diversos pés de arruda. É uma tarde de segunda-feira. E o tempo em São Paulo muda rapidamente para manter a tradição. Ali, na sala do estúdio Dá Pá Virada, na Vila Romana, jornalistas, criadores de conteúdo, formadores de opinião e articulistas se reúnem para participar de mais uma edição do WhatsApp Private Sessions, promovido pela Meta. A expectativa de todos era ouvir [alguns pela segunda vez] o álbum “Emicida Racional VL2: Mesmas Cores & Mesmos Valores”. Isso já havia acontecido quatro dias antes no Cine Marquise.

Naquela sala de cinema, com sistema de som Dolby Atmos, para deixar as batidas e nuances bem nítidas, aproximadamente 500 convidados ouviram este que pode ser o marco do retorno de Leandro Roque ao rap. Até parece pleonasmo, porém o que se escutou na sessão deixou todos com a impressão de que o MC que ficou conhecido nas batalhas por eliminar seus inimigos “cruelmente” voltou à base. Isso não aconteceu apenas com a viralização de vídeos dele fazendo freestyle na Matrix ou na Aldeia. Antes mesmo de ganharem a internet, ele já fazia tours por diferentes rodas. Ir para a rua surgiu da necessidade de fugir da colonização dos números, o que tem “escravizado” artistas e pessoas comuns. A escolha de “Cores & Valores” aconteceu por ele identificar um lugar vibracional, e pela visão da rua e do “estado de espírito mafioso”.

Isso reflete nas letras e instrumentais, que se baseiam no disco mais “incompreendido” dos Racionais MC’s [Isso me fez revisitar diversas vezes no intervalo de uma semana para imergir novamente. Foi essencial para entender a proposta e o propósito deles naquele período]. Não é uma releitura, e sim uma versão com base nas originais. São 10 faixas [entre músicas e interlúdios], produzidas por Damien Seth, Nave, Fejuca e Grou, que [podem e] vão surpreender quem conheceu o Emicida em “AmarElo”, e também quem já o acompanha antes desse. É a fusão das duas versões, porém, a segunda puxa o fio. Tem a sujeira que os amantes do rap não dispensam, é denso, leve, intenso, solar, tempestuoso. Em determinados momentos, como alguém citou, dá a impressão de estar andando no escuro. Como o próprio diz na conversa presencial no WhatsApp: “É um Emicida com muita fome, porque nossos motivos para lutar ainda são os mesmos”.

 

O QUE MOVE A GENTE (A ARTE, O RAP, O HIP HOP) TEM SIDO COLONIZADO PELOS NÚMEROS

 

O olhar de Leandro transmite tranquilidade, mas dá para perceber que o cansaço se faz presente por causa da correria com o projeto. O agora Doutor Honoris Causa em Educação, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ouve cada comentário. Agradece. Sorri. Brinca. Fala pausadamente.E revela que quando Mano Brown, Edi Rock, DJ KL Jay e Ice Blue foram ouvir as músicas juntos pela primeira vez, se sentiu como um estudante aflito para fazer a Fuvest. “Eram os meus professores ali, e eu não tinha ouvido com os quatro juntos”, afirma. “Fiquei todo encolhido, e tenso”.

Talvez essa tensão tenha feito o rapper recuar e não os convidar para uma participação. Mas todos que marcam presença, enriquecem a obra. Tem o piano de Amaro Freitas, que em algumas linhas faz uma espécie de sintetizador analógico com a técnica de piano preparado; a reunião dos Três Temores, complementado por Rashid e Projota – o qual ganha uma sobrevida ao mostrar que ainda tem tinta na caneta -, passa três visões do show dos Racionais MC’s em 2007 na Virada Cultural em São Paulo, o qual a polícia militar foi para cima do público de forma violenta, transformando a Praça da Sé em campo de guerra; e logo de início, áudios de Dona Jacira fazem o prelúdio, que arrepia o corpo. É um tipo de sensação que apenas e somente a música pode transmitir através de suas ondas. Nas palavras de Emicida essa “é uma conexão feita pelas ideias”.

 

 

MUITO SENTIMENTO ENVOLVIDO

Para escrever as letras, que possuem diversas brincadeiras com as palavras, o uso de proparoxítonas e as mais variadas referências, a inspiração não veio apenas dos Racionais. Sendo nerd, Emicida usou tudo que tinha à disposição. Em lousas gigantescas fez sua matemática, como se fosse um cientistas tentando descobrir o princípio ativo de um remédio que pode salvar vidas. Os cálculos são complexos, apenas o autor entende e tenta explicar do jeito mais objetivo possível. Outro exercício foi reassistir todos os filmes de seus diretores favoritos. Mas não só para ver novamente. Separou um caderno para cada um deles e fez suas anotações. Os dois que mais povoaram sua mente foram Akira Kurosawa e Clint Eastwood . O primeiro pela exploração da ilusão. E o outro por causa dos personagens imprevisíveis que ganham protagonismo de repente.

Ao meu lado, a jornalista e apresentadora Cris Guterres faz uma observação de que Emicida repete por várias vezes a palavra sentimento. Ele não tinha percebido, mas concorda. De fato, o quesito sentimental está no alicerce. “Emicida Racional: Mesmas Cores & Mesmos Valores” não é para ouvir em qualquer momento. Para pegar as visões que ele passa, precisa dar uma atenção. Um dos interlúdios enfatiza essa questão. Mesmo sendo rápido, inspira. Nele, existe a fusão de “Boa Esperança” e “Olhos Coloridos” [interpretada por Sandra Sá]. Se não se conectar, dificilmente vai identificar esse detalhe. Os poemas declamados ao longo também transmitem diferentes tipos de mensagens. Por isso, o artista diz que o “rap é um gênero musical que não deve nada a ninguém”. Ele fala, e comprova o que afirma.

Cada vez que ele clica o play, o silêncio impera na sala, a atenção fica evidente nos olhos, no balanço da cabeça, nos pés se mexendo, mesmo o corpo estando sentado, e nas reações dos rostos quando chega um verso inesperado. Na audição, alguns saíram extasiados. Outros/as sem palavras, emocionados/as. No estúdio do “WhatsApp Private Sessions”, o comportamento foi parecido. Todos pareciam concordar que era essa a injeção de ânimo que o rap estava precisando – o Zudizilla falou comigo sobre isso rapidamente no cinema sem muito saber formular os pensamentos de tão impactado que estava. Emicida consegue fazer a ponte entre a geração dos Racionais MC’s, a dele e a atual.

Apesar disso, não quer o protagonismo [mesmo sendo algo indissociável]. Até como uma forma de reverenciar seus ídolos, decidiu não colocar sua foto na capa. A arte precisa falar por si só [na visão dele]. Por isso, convidou o fotógrafo Walter Firmo para registrar o seu ateliê, o lugar onde escreve suas letras e arquiteta seus planos, na maioria das vezes durante a madrugada – inclusive, os ruídos da noite fazem parte da estética sonora. Ele afirma que nenhum dos melhores discos já lançados possui a cara dos artistas nas capas. Quer mostrar que o ego precisa ficar de lado. Assim, é respondida a pergunta que o próprio deixou no ar: “como a gente observa a nossa história recente e re-observa nós mesmos?”. A resposta mais evidente é sentir. Até as gotas de chuva no final chegaram para fazer essa confirmação e molhar as folhas de arruda.

 

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