Mulheres na direção

O levante feminino em três clipes dirigidos por ELAS

Foto: Lost Art

  por Diana Pires

Eu tenho amigos de todos os tipos.

Tem os caras que são machistas mesmo sem peso na consciência, tem aqueles machistas que estão adentrando o processo, tem alguns que já estão no processo, bonitinhos, sempre preocupados se falaram merda ou não. 

Tem até os que se intitulam feministas, por mais estranho que me soe. Cada um em um processo diferente, tempo diferente, cabeça diferente. Mas existe algo bem comum na grande parte deles: os “hómi” tão com MEDO! 

MEDO porque simplesmente ninguém cala, segura ou abafa mais as minas!!! 

As minas estão mandando textão.

As minas estão expondo conversa privada de homem machista na internet.

As minas estão ouvindo desaforo e virando pra trás pra dizer: como é que é???

As minas estão mandando no inbox de uma conhecida: mana, esse cara ai é machista, fica atenta! 

As minas estão trabalhando juntas.

As minas estão interrompendo conversa pra dizer: amigo, desculpa, mas isso foi machista!

As minas estão lendo livros sobre feminismo.

As minas estão aceitando seu cabelo, seu corpo, sua cor.

As minas estão lutando por igualdade no trabalho.

As minas estão entendendo melhor o que é um relacionamento abusivo.

Daí que vem o MEDO. E, querendo ou não, é um medo bom, é um medo ótimo. Esse MEDO faz com que eles escutem mais, tentem entender melhor, e pensem várias vezes antes de dizer algo.

Nós, mulheres aprendemos o tempo todo, seja numa conversa, ouvindo uma música ou lendo uma poesia. Porque os homens não podem fazer o mesmo né?

Vamos todos aprender juntos, aprender que existe uma forma mais generosa de viver em comunidade. Que se uma mina diz que tal coisa é machismo, que de repente eles possam parar pra ouvir de uma pessoa que sabe o que é isso e sofre todos os dias.

E o que esse LEVANTE fez e tem feito pelo mundo? As mulheres estão se unindo pra fazer coisas incríveis, seja num sound system só de minas, seja num slam de mulheres, seja num grupo de rap feminino, numa galeria de arte, no cinema.

Só neste ano, em matéria de videoclipe, da união de incríveis mulheres, nasceram três obras-primas brasileiras que merecem ser conhecidas e divulgadas:

1. Mariana Degani – Canto Ás Vadias
Direção: Gabi Jacob

O clipe começa com uma estética bege, quase sem cor, nude, e uma melodia tranquila e agradável. Em certo momento, Mariana dá um grito que desperta todas as mulheres (ou vadias) dentro de si. O convite foi feito a diferentes mulheres que diariamente esbarram em situações machistas. A cada grito libertado, um reflexo de si nos gritos das outras. A partir do grito, o clipe se torna vermelho, visceral, sangrento, com uma dança quase hipnótica de todas essas maravilhosas mulheres juntas, é de arrepiar! O clipe tem equipe 100% feminina e faz parte da webserie “Canto”, apenas com cantoras.

2. Karol Conká – Lalá
Direção: Vera Egito e Camila Cornelsen

Não é novidade para ninguém que a maioria dos homens quando ajoelham não sabem o que fazer lá embaixo, confere? O pior de tudo: os caras que se vangloriam e os que não gostam de ouvir um simples direcionamento das minas que já saem ofendidos – e nós que somos o sexo frágil (rs). As cenas de um braço puxando os boy é maravilhosa, mas lembrem-se, amiguinhos, não basta ser bonito, tá? Tem que saber mandar um LALÁ!

A equipe também é 100% feminina.

3. Ana Cañas – Respeita
Direção: Isadora Brant e João Wainer

Assim como o clipe da Mariana, mais de 80 mulheres foram convidadas pra cantar juntas, entre elas Eliane Dias, Elza Soares, Julia Lemmertz, Karina Bhur, Maria da Penha, Preta Rara, Jeckie Brown, Mel Lisboa, entre outras maravilhosas.

Numa sociedade em que a mulher muitas vezes é considerada culpada em situações de abuso, é uma delicia cantar junto, bem alto: “Respeita as minas, PORRA!”. Tente você também! O video tem equipe quase que inteira feminina.

Cantemos juntas, divulguemos pelo mundo! As minas estão se unindo e nada pode pará-las! Viva a mulherada! ❤

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